O Idiota que Escrevia Versos

O Idiota que Escrevia Versos
ROMANCE
Editora Nativa
Angel San Martín

 

A história é “não apenas a ciência do que muda”; também, do que permanece imutável. Esta assertiva passa a ser mais fácil de elaborar quando a realidade histórica é contada por meio de uma linguagem ficcional e num cenário que corresponde à América Latina, no embate de suas contradições.
De maneira que seria inútil descobrir uma dimensão que não outra, a da visão poético-crítica do autor de “O Idiota que Escrevia Versos”, que situa seus personagens na ordem neo-colonial do século XIX, usando em especial, com natural gracejo e particular ironia, tudo do que é folclórico e risível nos protagonistas, despojados de sua aura de próceres, tornando-os apenas seres vítimas de seus complexos e defeitos idiossincrásicos.
Faz, por assim dizer, uma correspondência de eventos, que vindos do Segundo Império na França, se entrelaçam aos acontecimentos da América mestiça.
São personagens e situações tais como, Edouard Manet, que aporta no Rio de Janeiro a bordo do Guadalupe em 1849; Francisco Solano López, em união com Elisa Lynch; a Guerra do Pacífico, iniciada em 1879; a viagem da irmã de Frederico Nietzsche ao Paraguai, cujo marido tinha a intenção de ali fundar uma colônia comunista, e outros tantos.

Todos estes fatos, quiçá irrelevantes para um demiurgo desavisado, tornam-se o fio condutor das narrativas deste novo romance de Angel San Martín, adquirindo vôos literários de surpreendente criatividade.